Estudantes têm reorganizado escolas, universidades e institutos federais de ensino, atribuindo outro significado para esses espaços.


 reprodução

Sendo a Geografia uma ciência que tem como objeto o espaço e como objetivo sua análise, e sendo nós, ocupantes do Instituto de Geociências, geógrafos em sua maioria, é automático de nossa parte o olhar e reflexão, em uma percepção geográfica, dos fatos que ocorrem em nosso país (e em nossa ocupação) nos últimos tempos.

Refletir sobre o caráter geográfico de uma ocupação pode não parecer relevante para aqueles que acreditam que a Geografia seja somente “decorar países e suas capitais”. Entretanto, nós, enquanto profissionais ou especialistas geográficos, mantemos uma relação estreita com o espaço e os processos que ocorrem nele, e as ocupações vem promovendo uma situação peculiar – em nosso país – de reorganização social, política e territorial dos locais ocupados e, por consequência, da sociedade em âmbito nacional.

Estudantes, dos mais diversos níveis de escolaridade, têm reorganizado escolas, universidades e institutos federais de ensino, atribuindo outro significado para esses espaços, antes caracterizados pela relação tradicional de “nível” escolar ou acadêmico. Todos os ambientes, como salas, pátio e até mesmo os ambientes administrativos como a diretoria vem sendo modificados pelas relações sociais e caráter de identificação que os estudantes estão atribuindo ao passarem tanto tempo entre si. Dessas dinâmicas se pode refletir a construção de identidade e pertencimento ao local que se ocupa (lugar), o processo social que se produz a partir dessas relações (espaço) e o exercício de poder e domínio recorrente das ocupações (território), reflexões essas que trazem a importância do pensamento geográfico sobre o perfil social e histórico das ocupações.

Os momentos atuais nos fazem lembrar a teoria de Henri Lefebvre que afirma em seu livro “O Direito à Cidade”, sobre o direito de participar das decisões do que vai ser construído e de como a cidade vai sendo modificada. Os ocupantes e os outros movimentos que estão se manifestando contra a medidas que vão atingir a população (vide PEC 55, MP 746/2016…) estão reivindicando o seu direito democrático de decidir o futuro desse país. Estão reivindicando o “Direito à nação”, o direito a decidir o que ser feito nesse país e como os projetos que vão afetar diretamente sua vida.

 

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