“Usam técnicos do TCE, já conhecidos na arte de fazer espetáculo, para prejudicar os mais pobres”, diz Wellington Dias

Por Redação RBA, Publicado 18/07/2022 – 19h21, Marcello Casal Jr./ABR

alfabetização

A meta do Piauí é alcançar acima de 200.000 pessoas alfabetizadas e reduzir de 16% para 8% a população com mais de 15 anos analfabeta e chegar assim à média brasileira

São Paulo – Com o maior programa de alfabetização do país e reconhecido na área da educação, o Piauí virou alvo da chamada “indústria da denúncia”. Com saudade do tempo em que faziam assessoria de imprensa para a Operação Lava Jato, alguns veículos passaram a divulgar reportagem ao estilo golpista.

E chegam a afirmar que, segundo relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Secretaria da Educação incluiu “mais de mil mortos, além de servidores públicos” em uma política “milionária” de combate ao analfabetismo. Isso nas gestões do ex-governador Wellington Dias (PT), pré-candidato favorito ao Senado, e da sua sucessora, a professora Regina Sousa, do mesmo partido.

“Fizeram uso da indústria de denúncia e usando técnicos do TCE, já conhecidos na arte para fazer espetáculo e uso na disputa eleitoral de 2022″, disse Wellington, ressaltando que o objetivo dos denunciantes é parar o programa. E, como sempre, prejudicar os mais pobres. “É só isto que querem, nada mais. Graças a Deus, conselheiros e conselheiras do TCE assumiram a coordenação do processo e passaram a trabalhar dentro da lei. Que bom que o TCE está acompanhando, nos dá segurança para fazer o melhor! E sugestões para aperfeiçoar serão muito bem vindas.”

O programa de alfabetização, feito totalmente com recursos estaduais, tem objetivo de alfabetizar e dar a oportunidade de prosseguimento nos estudos em dois outros programas. O investimento é R$ 500 milhões.

Avanço da educação no Piauí

Isso é possível porque, no Piauí, os tempos de baixo índice no ensino ficaram para trás. O estado obteve evolução positiva em todas as etapas de ensino avaliadas desde 2005 até 2019, última edição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A rede estadual teve crescimento de meio ponto percentual, garantindo 6.0 em 2019. Ou seja, 1.5 acima dos 4.5 projetados pelo Ministério da Educação para aquele ano. Nos anos finais do ensino fundamental, a rede pública estadual avançou 0.3 ponto em relação ao Ideb anterior, saindo de 4.0 (2017) para 4.3 (2019). Houve avanço também no Ensino Médio, com crescimento de 3,3 (2017) para 3,7 (2019), considerado histórico, com ganho em todas as edições da avaliação.

Além disso, o Piauí tem presença de educação técnica e superior pública em todos os seus 224 municípios. Desde 2017, a Universidade Aberta oferece curso de administração, com foco em empreendedorismo, e já atende mais de 8 mil estudantes. A primeira turma se forma em agosto próximo. No ano que vem, haverá oferta de novos cursos e até pós-graduação.

Segundo Wellington Dias, não há nenhuma chance de “defunto estudar”. “Só na cabeça de gente do mal mesmo”, disse. Conforme explicou, em cruzamento de várias bases de dados da Fundação Getulio Vargas e Secretaria da Educação, excluem-se pessoas que não preenchem os requisitos. De um total de 342 mil que fizeram inscrições no Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos (acima de 15 anos sem saber ler e/ou escrever), apenas 170 mil já se enquadraram nos critérios.

Meta de alfabetização até 2023

“E para quem faz alfabetização em contrato de parcerias com o Estado, há um modelo de contrato em que se paga por resultado, ou seja, pelo número de aluno alfabetizado. Na testagem, ao final do curso programado, a pessoa faz uma prova escrevendo uma carta e também para ser lida por outra colega de turma e ainda lendo a carta de alfabetizado. Recebem ainda como prêmio, R$ 440 pelo esforço da alfabetização!”

A meta do Piauí é alcançar acima de 200 mil pessoas alfabetizadas e reduzir de 16% para 8% a população com mais de 15 anos analfabeta e chegar assim à média brasileira. Em 2003, no estado, correspondia a 34%. Essas metas, segundo ele, devem ser atingidas em 2023.

Possível é. Que o diga a dona Teresa Martins, que se alfabetizou aos 100 anos e destacou em sua carta: “Eu era cega e não sabia. Eu passei a enxergar pelas letras, na alfabetização”.

“Temos é que agradecer a cada professor e professora que se dedicam para reparar o descaso do passado com estas pessoas, assim como já fizemos no Piauí com a alfabetização de aproximadamente 800 mil pessoas”, disse o ex-governador.