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No dia 12 de maio de 2016, a presidenta legitimamente eleita por 54 milhões de brasileiros foi destituída por meio de um impeachment sem crime de responsabilidade. No mesmo dia, o presidente interino anunciou os 22 homens brancos indicados como ministros, fato registrado em foto histórica que inaugura um regime político oposto àquele aprovado pelo voto popular. De lá para cá, vivemos o desmonte estratégico dos direitos trabalhistas, das universidades, de políticas que priorizavam relações com países vizinhos.

Como grupo de pesquisa que reflete sobre processos de mediação no mundo contemporâneo, é nosso dever denunciar as manobras discursivas impetradas pelos meios hegemônicos de comunicação e por um setor do judiciário que pavimentaram o caminho do golpe e o sustentam ainda hoje.  

Pensar sobre os sentidos do político tornados turvos, aproximados de algo impuro, quase proibitivo. Observar atentamente o esforço para despolitizar a política que passa por sua tecnização e que imprime um efeito de neutralidade exatamente onde posicionamentos ideológicos se impõem com mais força por meio de pré-construídos.

Trata-se, afinal, de “abordar problemáticas que se põem como cruciais não só aos pesquisadores e profissionais da linguagem, como a qualquer cidadão que assuma sua condição de partícipe na construção social e política das comunidades em que vive, isto é, sua condição irredutível de interlocutor.” (quem somos: https://grupopesquisacomunica.wordpress.com/o-comunica/)

Não há neutralidade possível.

Silenciar diante dos atuais ataques ao Estado de Direito é ser conivente com o desmonte estratégico da jovem democracia brasileira. Retomando a proposição de Roger Chartier na mesa inaugural deste evento, se não exercemos nosso papel cívico, se não combatemos representações inventadas com o objetivo de confundir e impor um discurso único que favorece tão poucos, “não há democracia possível”.

 

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