22 janeiro 2017 6:24 AM‎
Foto: Mídia NINJA / Cobertura Colaborativa

O que é cultura de rede e midiativismo? Quais as principais experiências de coletivos? Como eles se financiam? Muitas respostas para esses questões foram apresentadas no ‘Festiva’, realizado no Território Inventivo, no Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de janeiro.

A abertura do evento foi realizada pela professora de Escola de Comunicação da UFRJ, Ivana Bentes. Sobre cultura das redes, ela destacou quatro pilares do tema: o poder de articulação da comunicação e mídia; articulação e mobilização; formação; sustentabilidade das plataformas. Sobre o último ponto, ela citou exemplos de financiamento de projetos, redes de trocas, moeda alternativa e colaboração.

O mundo memético

Foto: Mídia NINJA / Cobertura Colaborativa

‘Museu de memes’. Esse é o nome do projeto coordenado pelo professor da UFF, Viktor Chagas. Construído em 2012, o centro de pesquisa possui mais de 400 fontes de pesquisas sobre memes em diversos países, como Hungria e China.

De acordo com Viktor, a origem do “meme” vem da década de 1970 e foi criada pelo biólogo Richard Dawkins. O termo seria dispositivo para acumular ideias culturais, em oposição ao gene. No entanto, ao logo dos anos a palavra foi ressignificada e apropriada com o surgimento da internet.

Entre os estudos realizados pelo grupo, está o mapeamento das redes sobre o vomitaço realizado na página do Facebook do Michel Temer (PMDB).

Periferia e financiamento

A Agência de Notícias das Favelas também se apresentou. Seu fundador, André Fernandes, falou sobre a experiência da ANF na criação de uma rede de colaboradores para a produção de notícias em mais territórios do Rio de Janeiro.

“A nossa ideia é conseguir dar suporte para que em todas as favelas do Rio de Janeiro possa haver agentes de comunicação para mostrar a sua realidade no dia a dia”, afirmou.

O financiamento da empresa se dá por meio de editais e publicidade. Sobre esse tema, a espanhola Graciela Hopstein contou sobre o Fundo de Investimentos em cultura e mídia livre, que ela está desenvolvendo junto a Ivana Bentes. A ideia é reunir investidores que possam gerar um fluxo de caixa para financiar veículos de comunicação.

Foto: Mídia NINJA / Cobertura Colaborativa

Ativismo na tecnologia e ciência

Estudante da UFRJ, Guilherme Monteiro falou sobre a trajetória do seu projeto ‘Ciências de Redes’, que mapeou trabalhos na universidade, a fim de criar um ecossistema favorável para a execução e fomento deles.

Monteiro destacou a importância de mais ativistas e fundos de fomento na área de tecnologia e ciências. “Assim como as áreas de comunicação e cultura, podemos criar uma rede ainda maior de profissionais trabalhando em seguimentos diferentes”, disse.

Ser do MTST é quando juntos fazemos acontecer!

Victor Guimarães, Marcos, Fabi e Gabriela, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, também estiveram presentes no Festiva.

“Estar nessa sala, representa muita coisa. Faz lembrar e mostra a importância de atuarmos juntos, fortalecendo o Movimento, fazendo acontecer”, destacou Victor. A coordenadora do MTST, Fabi, da ocupação 6 de abril em Niterói, contou a importância da construção do movimento no dia a dia, e da formação sobre direito à moradia digna e o que isso significa.

“Quando a casa de uma pessoa está a todo momento ameaçada, com risco de desabar, isso não pode ser entendido como casa de fato. Se somente algumas pessoas têm direito à casa, ocupar é necessário”, comentou.

Ocupar nesse caso é ir além do ato de ocupar um espaço em si, mas mobilizar e articular pessoas em torno da mesma luta. Foi nesse sentido que Gabriela contou um pouco sobre a atuação da Frente de Saúde da Ocupação 6 de abril: “o debate vai além da questão da moradia, vai para outros direitos que muitas vezes são negados à maioria da população, como o direito à saúde”.

Para fechar o bate-papo, Victor apresentou o novo Projeto do MTST, o qual ligará “quem sabe fazer com quem precisa de algo”. “No Movimento, tem gente que sabe fazer de tudo, nós conectaremos essas pessoas”, complementou.

Por um mandato ativista e transparente

Foto: Mídia NINJA / Cobertura Colaborativa

Desde a iniciativa ‘Meu Rio’, que aplicava tecnologias para abertura de informações sobre a câmara legislativa da cidade, até os mandatos de Marcelo Freixo e Marielle Franco, os ativistas Rafael Monteiro e Daniela Orofino palestraram no Festiva sobre a atuação junto a legisladores para mandatos mais transparentes e inovadores.

“Precisamos de políticos mais conectados com a população, que sejam ativistas pelos direitos humanos. Com Marielle Franco temos um mandato potente que pode ser inovador nesse sentido”, comentou Daniela.

Ela participou da campanha colaborativa de Marcelo Freixo à prefeitura do Rio de Janeiro, que apesar de derrotada, superou todas as expectativas de arrecadação e participação popular.

Remédio para quem precisa

Foto: Mídia NINJA / Cobertura Colaborativa

A Apepi (Apoio à Pesquisa E Pacientes De Cannabis) apresentou no Festiva a importância da utilização da planta Cannabis Sativa no tratamento de doenças, o seu impacto na estrutura familiar e seu projeto de financiamento do remédio.

O grupo criou a ‘FarmaCannabis’, trabalho que mira a análise de dados relativos aos elementos presentes na planta, e cria mecanismos para arrecadação de dinheiro para produção em larga escala.

A “mãeconha”, Margarida Lagame, deu seu depoimento. Seu filho, João Pedro, sofre de epilepsia e tem convulsões constantes. O uso da erva ameniza os ataques, mas o custo dos remédios é alto. Após o uso do remédio há quatro meses, de acordo com Margarida os ataques diminuíram e sua qualidade de vida melhorou

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Festiva organiza roda de conversa para debater as transformações nas marchinhas de carnaval. Por Gabriela Candido, em cobertura colaborativa do Festival de Ativismo

Com o crescimento do carnaval de rua nos últimos anos, a discussão em torno dos significados e símbolos da folia tornou-se mais presente na realidade dos blocos responsáveis pelas marchinhas e purpurina que levam milhares às ruas do Rio de Janeiro.

O Festiva reuniu hoje (21) André Ramos e Raquel, da Orquestra Voadora, Geraldo Junior do bloco Terreirada e Fátima Verônica do Ocupe Escola e Reage Artista para trocarem uma ideia sobre o tema.

“De repente a gente começa a se deparar com 50, 60 mil pessoas em um evento que antes reunia 4 mil. Todos os conflitos que acontecem na sociedade também aparecem no carnaval”, destacou André, da Orquestra Voadora.

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Nesse movimento, as tradicionais marchinhas de carnaval passaram a ser questionadas.

“É um debate polêmico, porque muitas pessoas acreditam que nada pode ser questionado no carnaval, entretanto nós enquanto músicos temos que fazer o possível para trabalhar com essas questões. O carnaval é político, o posicionamento e a falta de posicionamento são atos políticos.”, pontuou o músico, que foi complementado por Geraldo “a marchinha é uma ferramenta para dizer coisas”.

Para Fátima se tem alguém levantando uma causa, os blocos precisam ouvir. Raquel da Orquestra Voadora, deu o exemplo de trechos machistas presentes algumas marchinhas tradicionais e o que tem sido feito para mudar essa questão. “A gente está aprendendo que a gente tem força! Mexeu com uma mexeu com todas. Não importa se são três caras tocando um trecho machista, nós vamos para cima e mudamos a música sim, já foram anos sendo silenciadas”.

Fica o recado em trecho de marchinha feita por André e Raquel “Sem preconceito, brilhe não só no carnaval”.

Foto: Mídia NINJA / Cobertura Colaborativa
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