por NINJA

Bia Barbosa, ativista da comunicação e membro do Coletivo Intervozes, analisa as diferentes abordagens do jornalismo hoje ao tratar da pauta dos secundaristas e as ocupações em escolas.

1. O jornalismo morreu (ou “frases e cenas pra gente esquecer”)

Foto dos adolescentes sendo conduzidos algemados até a delegacia

 

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No dia em que o país ficou chocado com o autoritarismo do promotor de Justiça de Miracema/TO, Vilmar Ferreira de Oliveira, que ordenou a PM a prender 26 estudantes e a algemar adolescentes que ocupavam uma escola na cidade, o Jornal Nacional conseguiu cobrir o caso sem falar UMA ÚNICA PALAVRA sobre a razão da ocupação promovida pelos estudantes. O silenciamento sistemático dos principais meios de comunicação do país acerca das ocupações contra a Medida Provisória que reforma o Ensino Médio e contra a PEC 241 é mais do que vergonhoso. É criminoso e mostra a que ponto uma parcela significativa do jornalismo brasileiro chegou. Mas cobrir o caso bárbaro de Tocantins no dia de hoje e omitir dos telespectadores a razão da ocupação é tão sério quanto. É para esquecer mesmo.

2. O jornalismo não viu (ou “a gente só mostra o que interessa”)

Não foi hoje, está sendo há pelos menos duas semanas: a decisão orquestrada da chamada grande mídia em invisibilizar totalmente as ocupações de escolas que se multiplicam pelo país. Já são mais de 1000 unidades de ensino médio e mais de 80 universidades. É isso mesmo: mais de MIL escolas estão ocupadas e a imprensa brasileira não acha que isso é digno de notícia. Ou melhor, sabe que é, mas fica difícil mostrar a juventude se mobilizando em todo o país contra as medidas autoritárias do governo temerário que essa mesma imprensa ajudou a colocar no poder, né? Nas imagens deste post, todas da Mídia Ninja – que está fazendo um baita trabalho em registrar os protestos e ocupações contra a PEC 241 e a MP do Ensino Médio – somente as fotos do dia de hoje em torno desta agenda:

Escola Estadual Carmelia Goncalves Loff, em Ribeirão das Neves/MG
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Itabúna/BA
Universidade Federal do Pará, em Cametá /PA
Instituto Federal Catarinense, em Camboriú/SC
Centro educacional da UFTM, Uberaba/MG

São meninos e meninas, adolescentes, jovens, que, enfrentando uma brutal criminalização, ergueram suas vozes para lutar por um de seus direitos mais básicos: o de estudar.

3. O jornalismo resiste (ou “a boa reportagem do dia”)

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